Ubiratan Pereira Maciel

Category: Gente Comments: 7 comentários

O Cavalo de Aço defendendo o Trianon Clube

Na década de 1970, os jacareienses tiveram o privilégio de ver de perto um grande atleta defendendo as cores do Trianon Clube.  Para a criançada que freqüentava o clube, o que mais chamava atenção era estar ao lado daquele gigante. Mas o lendário Bira não era somente um gigante em sua altura, tanto que, num país famoso por não preservar sua memória, foi homenageado com nome de rua em São Paulo e centros esportivos em São José dos Campos e Jacareí (Centro Comunitário da Vila Zezé). Este grande esportista será sempre lembrado por sua contribuição decisiva em favor do crescimento e divulgação do basquetebol em todo o país.
Ubiratan Pereira Maciel nasceu em São Paulo em 18 de janeiro de 1944. Quando criança sonhava ser jogador de futebol e chegou, inclusive, a fazer testes na Portuguesa de Desportos. Como não deu certo, direcionou seus objetivos para o atletismo, mais especificamente o salto em altura. Enquanto treinava no Espéria, foi convidado a jogar basquete.
Em pouco tempo Ubiratan tornou-se um dos maiores pivôs que já passaram por nossas quadras, fazendo parte de uma das gerações mais vencedoras do basquetebol brasileiro. De forma póstuma, teve coroada sua trajetória profissional sendo eleito em 2009 para integrar o Hall da Fama da Federação Internacional de Basquete (FIBA), sendo que no ano seguinte, passou a integrar também o Hall da Fama do basquetebol americano, sendo, desta forma, homenageado internacionalmente como um dos principais nomes da história do esporte.
Bira iniciou sua carreira do Clube Floresta (Espéria) em São Paulo, tendo atuado também pelo Corinthians (em 1961, aos 17 anos), Palmeiras, Sírio e Tênis Clube de São José. Para nós aqui de Jacareí, cidade que adotou como moradia, foi de grande significado sua passagem pelo Trianon, época em que o clube conquistou os Vices-Campeonatos Paulista de 1972/73 e também o título de Vice-Campeão Brasileiro de 1973. Na seleção brasileira foi convocado pela primeira vez em 1961 e sua principal conquista foi o campeonato mundial de basquete em 1963 (apesar de reserva) além da medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964. Teve um sem-número de medalhas em Campeonatos Mundiais, Sul-Americanos, Jogos Pan-Americanos, Taças-Brasil e Campeonatos Paulistas.  

Jogando pelo Brasil, Bira era um rei no garrafão

Com 1,99 m de altura, embora não fosse tão habilidoso como outros atletas, tinha uma enorme força física, o que lhe valeu o apelido “Cavalo de Aço”. O “Rei do Tapinha”, como também era conhecido, chamava principalmente a atenção por seus ganchos de canhota. Com grande impulsão, era imbatível nos rebotes e tomava conta do garrafão. Destacou-se, também, por ser o primeiro jogador brasileiro de basquete a atuar no exterior (em 1970 transferiu-se para o Splugen Birra de Veneza, Itália, retornando dois anos depois). Relutante em largar as quadras, despediu-se profissionalmente em 1982 atuando pelo Tênis Clube. Mas nunca se afastou do basquete, treinando as equipes inferiores do mesmo TC e jogando ainda algumas partidas pelo XV de Piracicaba. Aceitou ser técnico do Trianon em 1985 e acabou até jogando, tentando com sua experiência classificar a equipe da cidade. Hélio Rubens, outra lenda do esporte, comentou na época “que o Bira não tinha condições de decidir partidas, mas, mesmo assim, dava mostras de grande amor pela cidade”. Infelizmente ele aqui não conquistou títulos.

Em quadra o esquadrão do Trianon – 1972

Numa carreira longeva e dedicada exclusivamente ao basquetebol, fez em 2001 sua última atuação em quadras defendendo o Brasil no Mundial Sênior na Iugoslávia. Lá, para sua surpresa e alegria, foi ovacionado e aplaudido de pé pela torcida. Depois de aposentado das quadras foi professor de educação física em algumas faculdades e funcionário do Ministério da Educação e Cultura, atuando nas escolas de Brasília de 1990 até sua morte.
Em 2002, em fevereiro, após uma parada cardíaca, foi removido ao Instituto do Coração em estado de coma. Ficou internado até abril quando foi levado ao Hospital das Forças Armadas, em Brasília, onde faleceu em 17 de julho, aos 58 anos. Seu corpo foi trasladado para São Paulo e do Aeroporto de Cumbica foi escoltado pela Polícia Militar até São José dos Campos onde foi sepultado. Ubiratan deixou quatro filhos: Ubiratan Júnior, Luciano e Paula, de seu casamento com Orlandina Maciel e Ana Rita do casamento com Deusa. 

7 comentários em Ubiratan Pereira Maciel

  • kelvin bakos  disse:

    Ola, gostaria de um contato da família do Bira, pois irei organizar um campeonato e vou prestar uma homenagem.

  • Fernando Romero Prado  disse:

    Kelvin….procure no Facebook por Sylvia Ferraz….Me parece que eram parentes e podem te passar algumas informações. Abraço.

  • Professor Marcos Nogueira  disse:

    Cara estou acompanhando seu trabalho e estou encantado….tentando achar onde poderia entrar e ajuda-lo neste projeto…Enfim…por momento só me resta parabeniza-lo pela brilhante idéia e desenvolvimento.Forte abraço!!!

  • Luis Antonio Braga  disse:

    Jacareí é sem dúvida uma das cidade mais importante do Brasil, sua história sintoniza com momentos importante da vida política, esportiva e cultural. Quem teve a oportunidade de conhecer Jacareí, sabe o que estou dizendo!!!!!

  • Ana Luisa  disse:

    Muito bonito seu texto, mas na verdade ele deixou 4 filhos e nao 3, o quarto foi fruto de seu segundo casamento!

  • Fernando Romero Prado  disse:

    Obrigado pela observação. Poderia me informar o nome do quarto filho?

  • Fernando Romero Prado  disse:

    Texto atualizado em 17/11/12 com colaboração de Sonia Ferraz: ele deixou quatro filhos: Ubiratan Júnior, Luciano e Paula, de seu casamento com Orlandina Maciel e Ana Rita do casamento com Deusa.

Deixe um comentário

Você pode utilizar os seguintes atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>