Família Romero

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Quando mal silenciavam os clarins que anunciaram ao mundo o advento do século XX, mais precisamente em 1°/03/1902, nascia Jesus Romero, em Goyan, Província de Pontevedra, Espanha, no lar austero de Dom Firmin Romero e Dª Felicidade Daval Sobreira.

Em sua cidade natal viveu os seus primeiros 18 folgados e travessos anos. Era uma terra rica, de excelentes propriedades rurais, mas muito pobre de oportunidades. A mocidade se exasperava e tornava-se imperioso procurar outras paragens em busca de sucesso e dinheiro.

E lá se foi Jesus Romero para Cuba em 1920, acompanhado de mais outros três jovens conterrâneos, a trabalhar em uma usina de açúcar. Estimulado, trabalhou e economizou uma quantia razoável, retornando à terra natal após um ano. Não conseguindo prosperar na Europa da época, escreveu para sua irmã que morava em Santos-SP que o convenceu a tentar a sorte no Brasil. Em fins de 1929 o país, especificamente aquela cidade praiana, ganhava mais um habitante.

Também no início do século passado, em 23/04/1907, Maria Aurora Fernandes nascia em Portugal, em Freguesia de Poiares, Distrito de Viana do Castelo, na tradicional região do Minho no norte daquele país europeu, divisa com a Espanha. Filha de Luiz Fernandes Pereira e Maria das Dores, logo cedo partiu com a família para a Espanha em busca de oportunidades. Ainda criança ajudava a mãe levando o almoço ao pai que pintava vitrais que ornamentavam igrejas locais. No entanto, a família foi tragicamente atingida pela gripe espanhola, doença que dizimou milhões de pessoas em 1918. Órfã, a pequena Aurora acabou sendo criada por pessoas conhecidas que a abrigaram em troca de ajuda doméstica. Na mesma época, sem grandes pretensões trocou primeiros olhares com Jesus Romero. A família que a acolheu, coincidentemente, também deixou a Europa, vindo residir em Santos – SP.

Por estas coisas que só a vida reserva, Aurora reencontrou o jovem Jesus quando descia de um bonde em Santos. Começaram a namorar e casaram-se em 1932.

Jesus Romero, formado avicultor por correspondência, fabricava criadeiras (uma espécie de gaiola /galinheiro). Convidado, foi trabalhar na Granja Julieta, em Santo Amaro, São Paulo, tendo ali permanecido nove meses. Trabalhou em seguida para o Conde Francesco Matarazzo até a morte deste em 1937.
Sua família, na época, já estava maior, pois em São Paulo nasceram suas três filhas: Laura, Neyde e Liberta.

Neyde, Liberta (Lia) e Laura

Voltou ao litoral, montando outra granja na localidade de Ana Dias, próximo à Peruíbe. Partiu depois para Ouro Fino, hoje distrito de Ribeirão Pires, ali instalando uma granja para 35 mil aves. Sem filhos homens, ali conheceu e passou a criar um garoto português  chamado Francisco Câmara.

No ano de 1944 Jesus Romero resolveu dar o passo certo montando sua própria granja na cidade de Suzano. Deixando de ser empregado, o tempo passou e ele progrediu. Como Suzano não oferecia oportunidades para o estudo dos filhos, mudou-se em 1949 para Jacareí que oferecia boas escolas e acenava para o progresso com a construção da Via Dutra.

Laura, Neyde e Liberta

Vendeu a granja e adquiriu uma pequena empresa de laticínios instalada na Rua Ramira Cabral, passando a morar em um dos primeiros sobrados erguidos naquela rua. Com a ajuda de pessoas amigas, como Abel Cabral e Dr. João Victor Lamanna, conseguiu “crédito na praça”, o que lhe permitiu a compra do prédio da indústria.

Jesus e Neyde Romero na Rua Ramira Cabral

O início das novas atividades foi muito duro e difícil. Adquiriu uma banca no Mercado Municipal de São Paulo onde parte de sua produção era escoada. Viajava todos os dias às 3 da madrugada regressando somente às 21 horas. Na pequena fábrica, Dª Aurora e suas filhas cuidavam da produção dos laticínios, além de uma mercearia estabelecida na Praça Raul Chaves.

Produção no Lacticínios Brasil. Na foto: Laura Romero

E assim a vida transcorreu, com trabalho e prosperidade. Periodicamente, Jesus e Aurora visitavam a Espanha para rever os locais de suas infâncias e também parentes que ainda moravam por lá. Aqui no Brasil, a alegria de ambos era a família constituída por seus filhos e netos: Elisabete, Eduardo e Evaldo, filhos de Laura e Ulisses dos Santos; Eliana, Nanci e Fernando, filhos de Neyde e Geraldo Prado; Pablo e Sônia, filhos de Liberta e Gabriel Alcazar que, casados, foram residir em Córdoba, Argentina. Francisco casou-se com Lúcia e tiveram dois filhos: Éder e Edvaldo.

Laura, Jesus Romero, Maria Aurora e Neyde. Em pé, Liberta.
As crianças: Eduardo, Elisabete, Eliana e Nanci

Em Jacareí, Jesus Romero tornou-se um próspero empresário. Ingressou no Rotary Club em Jacareí em 1967 apresentado pelo alfaiate João Salvador (Joanico), formando a mais simpática dupla de carecas daquele clube.

Atividade Rotaryana:  Joanico, Jesus Romero, Guerino Sciammarella,  José Abib, Aristeu Turci, Jorge Nader e Orlando Bonanno

Jesus Romero faleceu em 06/06/1970, de infarto do miocárdio, na Policlínica, na Praça Conde Frontin.  ”Morre o Pequeno Gigante”: assim noticiou em primeira página o jornal da época. Maria Aurora Fernandes Romero faleceu em 28/01/2001 no Hospital Alvorada.

Maria Aurora e Jesus Romero

As passagens aqui relatadas são autênticas, construídas no decorrer de uma existência revestida de fé, vontade de triunfar e lutas constantes. Sucesso e vitória que um dia aqueles imigrantes conseguiram alcançar.

Os irmãos Francisco, Liberta, Neyde e Laura (2012)

3 comentários em Família Romero

  • Ana Lídia Lourenço  disse:

    Amei,esse mundo é mesmo estranho heim? Achei lindo o reencontro deles,vó Aurora,linda história de amor!!!

  • francisco saldao neto  disse:

    tempos duros mas de prosperidade , pessoas de idoneidade , que ajudaram a construir nossa cidade ,,,Francisco muito calmo sempre ,batemos muito papo qdo eu morei e tive minha residencia em Jacarei depois de minhas andanças pelo Brasil

  • Cleusa pires  disse:

    Linda história. Parabéns!

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