Família Capucci

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familia capucci

Alberto Capucci e Amélia Ale em viagem de lua de mel (Santos – 1947) – Na foto , também a irmã mais velha dele, Luzia Capucci Freire entre suas filhas  Silvia e Eunice

História da Família Capucci

No final do século XIX, com a abolição da escravatura, o Brasil abriu seus portos para a imigração e os italianos formaram a grande maioria dos estrangeiros que aqui chegaram.
A história da família Capucci teve início na Itália no ano de 1896 quando o jovem Giovanni Capucci, filho de Antonio Capucci e de dona Carmela Martina, resolveu deixar sua cidade natal chamada Kiet, na região central do país, e tentar nova vida no Brasil. Estava com idade para prestar o Serviço Militar e queria fugir desse compromisso por sentir muito medo em ser obrigado a participar de guerras, no futuro.
Chegou a Nápoli, cidade portuária ao sul da Itália, de onde saíam os navios que conduziam os imigrantes ao Brasil. Como estava fugindo de uma responsabilidade civil, teria que viajar como clandestino e tentava embarcar de qualquer maneira.
Na cidade conheceu Maria, a bela jovem napolitana, filha de Antonio Pizzelli e Luzia Pizzelli que acabara de enviuvar e resolvera também partir para o Brasil com os filhos. Por obra do destino, a família Pizzelli e Giovanni embarcaram no mesmo navio, rumo ao nosso país. Convém destacar que não era uma viagem de turismo e os nossos viajantes vieram como todo imigrante na época: no porão do navio, amontoados, sem conforto, passando frio e fome, numa viagem de aproximadamente três meses. Caso um passageiro morresse durante a viagem, seu corpo era lançado ao mar. Por esse motivo, a recontagem dos passageiros era feita quase diariamente.

Luzia Pizzelli

Nosso Giovanni, por estar clandestinamente no navio, não podia aparecer como passageiro e, nos momentos de recontagem, usava uma tática especial: entrava num tonel vazio de azeitonas para se esconder.

Há uma história, que não sabemos se é verdadeira: Pedro, irmão de Giovanni, o teria acompanhado nessa viagem e quando o navio atracou no Rio de Janeiro teria descido não conseguindo mais voltar. O navio tomou o rumo de Santos. Giovanni e Pedro nunca mais se encontraram.

O navio atracou em Santos e seus passageiros logo partiram no trem que os levaria direto para a Hospedaria dos Imigrantes, em São Paulo. Os imigrantes de todas as nacionalidades se dirigiam para lá, onde ficavam até decidir o seu destino. Essa hospedaria é o atual Museu da Imigração.
Alguns dias depois, as famílias Pizzelli e Giovanni dirigiram-se para Louveira, na época um distrito de Jundiaí, local onde conseguiram trabalho. Foi lá que Maria e Giovanni se casaram e tiveram seus filhos: Nicola, Luzia, Antonio, Luiz, os gêmeos Nino e Nina, Tina e Humberto, que somente aos 21 descobriu que se chamava Alberto.

Giovanni e Maria

Os filhos cresceram ajudando o pai no armazém, fabricando tijolos na olaria, comercializando areia e pedra, cortando madeira na mata. Todos esses itens eram vendidos à Companhia Paulista de Estrada de Ferro, atual Fepasa. Giovanni também cultivou grandes áreas de uva, de excelente qualidade, que vendia no Mercadão da Cantareira, em São Paulo. A última chácara de plantio de uvas que possuiu ficava em frente à estação do trem, local onde um dia sua filha Tina foi atropelada pelo trem e quase morreu. Giovanni também sofreu um grave acidente em frente ao Mercadão de São Paulo quando entregava suas uvas: foi atropelado por um caminhão carregado de tijolos e ficou um ano engessado, de corpo inteiro, ficando só a cabeça para fora.
A família Capucci viveu em Louveira por aproximadamente 20 anos, mudando-se posteriormente para Jacareí. Giovanni foi trabalhar na construção da estrada de rodagem que liga Guararema a Santa Branca, passando por Jacareí. Nicola o ajudava no trabalho e Tunin (Antonio) era o cozinheiro da obra.
No ano de 1922, Maria ficou muito doente e faleceu no dia 13/11. Deixou oito filhos: Nicola, o mais velho, com 20 anos e Humberto, o caçula, com apenas dois anos e 10 meses! A família se separou: alguns filhos ficaram com o pai e outros foram morar em Jundiaí, com a Nona Luzia.

Em 1924 Giovanni casou-se em segundas núpcias com dona Virgilina. Nasceram os filhos José e Estela.
Giovanni viveu até 9 de junho de 1949.

Maria e Giovanni são as raízes, cabeças da árvore genealógica e merecem todo o respeito, amor e gratidão. Aqueles jovens que tiveram a coragem de deixar a sua Itália, para onde nunca retornaram,  enfrentaram uma vida dura de trabalho num país diferente, sem muitos parentes a ajudá-los e apoiá-los, numa época que não existia outro meio de comunicação a não ser uma carta, de tempos em tempos.

Maria e Giovanni deixaram muitas histórias e construíram esta importante família que também ajudou a construir nossa cidade.  
Agradecimento: Leila Maria Capucci Abdalla

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