O Nosso Maestro, José Maria de Abreu

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JOSÉ MARIA DE ABREU(X)
Todos aqueles que acompanham a cultura jacareiense sabem que a Fundação Cultural da cidade leva o nome do compositor José Maria de Abreu. Outros que passam pelo Jardim Liberdade podem sentar na praça que o homenageia e que inclusive tem seu busto. Mas quem foi ele? Qual a importância deste músico no cenário musical brasileiro? Vamos lá então, conhecer um pouco deste jacareiense de nascença que teve suas composições levadas a todo o Brasil na fase áurea do rádio.
 
Antes de começar, melhor esclarecer que ainda existem pessoas que confundem o “nosso” José Maria de Abreu com outro músico chamado Zequinha de Abreu (José Gomes de Abreu) criador do inesquecível “Tico-Tico no Fubá”, que nasceu em Santa Rita do Passa Quatro em 1880.
 
O jacareiense José Maria de Abreu nasceu em 07 de fevereiro de 1911 e foi iniciado na música por seu pai, o maestro e compositor Juvenal Roberto de Abreu que lhe ensinou a tocar diversos instrumentos musicais, como violão, piano, trompete e violino. A influência musical também vinha da mãe, Leopoldina de Souza Abreu, que era pianista. O dom da música também chegou ao irmão mais novo, João Maria de Abreu, que também tocava piano.

O pai, Juvenal Roberto de Abreu

 
 
Em 1917, a família deixou Jacareí, mudando-se para a capital paulista. Quatro anos depois voltaram para o interior, mais precisamente para Itapetininga. Naquela cidade, em 1922, aos onze anos, José Maria tocava na banda da escola e compôs a sua primeira música, o “Hino do Grupo Escolar”. Por volta dos 15 anos musicava revistas para companhias que percorriam o interior paulista e também tocava no cinema da cidade, na orquestra do Cine Íris. 
 
A Escola de Farmácia, na qual entrou em 1927, não conseguiu prendê-lo às suas carteiras, pois àquela altura, passou a dedicar-se exclusivamente à música, não dando continuidade aos estudos regulares.
Em 1928, voltou a morar na capital paulista e empregou-se como pianista nas casas Sotero e Di Franco, chegando a reger a orquestra do Teatro Boa Vista. Costumava, também, acompanhar ao piano diferentes artistas na Gravadora Columbia.
 
Nesta época passou a ganhar projeção com as gravações de suas composições por Francisco Alves (“Recordando”), Paraguassu (“Suspiro” e “Não chores meu bem”) e Januário de Oliveira (“A casa onde nasci”). Compôs, com Ari Kerner Veiga de Castro, “Vencer ou Morrer”, hino da Revolução de 1932. 
 
Em 1933 foi para o Rio de Janeiro. Logo de cara, venceu o concurso de músicas juninas promovido pelo jornal “A Noite”, com a composição “Promessa”. Passou a trabalhar em orquestras, tornando-se maestro e pianista da Rádio Mayrink Veiga onde ficou até 1938 quando foi para a Rádio Clube, atual CBN.    
 
José Maria de Abreu era um compositor eclético: compunha sambas, boleros, marchas carnavalescas e até jingles, mas ficou conhecido como “O Rei da Valsa”. 
Casamento de José Maria de Abreu e Irene da Costa Machado. Ao lado da noiva, os pais e o irmão de José Maria

Casamento de José Maria de Abreu e Irene da Costa Machado.                                                                                                     Ao lado da noiva, os pais e o irmão de José Maria

 

José Maria de Abreu

José Maria de Abreu

 
Em sua carreira musical teve parceiros como Noel Rosa e Lamartine Babo. Entretanto, dentre outros, destacaram-se dois nomes: Francisco Mattoso, com quem compôs um dos clássicos românticos da década de 1930, a valsa “Boa noite, Amor”, gravada por Francisco Alves, prefixo da Rádio Nacional. Muitos anos depois, a música ainda fazia a abertura do programa Flávio Cavalcanti na TV Bandeirantes. Tal parceria foi curta, pois Mattoso faleceu aos 28 anos, em 1941. 
 
A partir de 1942, com o novo parceiro Jair Amorim, escreveu suas mais conhecidas canções, como o samba-canção “Alguém Como Tu” (1952), interpretado por Dick Farney. 
 
Naqueles distantes anos, viajou por toda a Europa. Na Argentina, foi representante num congresso sobre direitos autorais, do qual regressou com uma medalha recebida das mãos do então presidente argentino Juan Domingos Perón.
 
Dando continuidade a sua carreira, musicou a revista “É sopa no mel”, com a vedete Luz Del Fuego; foi diretor da orquestra da gravadora Continental; durante vários anos atuou como maestro da Companhia de Dercy Gonçalves no Teatro João Caetano; musicou um dos maiores sucessos da Companhia de Walter Pinto, “Muié macho sim sinhô”; foi durante longo tempo diretor artístico da Rádio Mundial do Rio de Janeiro.
José Maria de Abreu

José Maria de Abreu

 
Em sua trajetória profissional, compôs muitos sucessos gravados ao longo dos tempos por Aracy de Almeida, Orlando Silva, Carlos Galhardo, Pedrinho Mattar,  Bibi ferreira, Elizeth CardosoÂngela Maria, Cauby Peixoto, Elis Regina, Emílio Santiago, dentre outros. 
 
Décadas depois de lançar seus maiores sucessos, teve algumas de suas canções regravadas: em 1974, a cantora Maria Alcina relançou a polca-choro “Tome polca”, também regravada por Patricia Marx e que foi originalmente lançada em 1950 por Marlene. Em 1982, a marcha “Pegando fogo”, lançada originalmente em 1938 pelo Bando da Lua, foi regravada com sucesso pela cantora Gal Costa, a qual em 1985 regravou também“Onde está o Dinheiro”. 
 
José Maria de Abreu faleceu no Rio de Janeiro em 11 de maio de 1966, aos 55 anos.
 
Para homenageá-lo, em 1978 foi inaugurada, em Jacareí, a estátua de bronze e a praça que leva seu nome. Em 1993 tornou-se patrono da Fundação Cultural de Jacarehy.
Logo da Fundação Cultural de Jacarehy

Logo da Fundação Cultural de Jacarehy

Pátio dos Trilhos tendo ao fundo a sede da Fundaçao Cultural

Pátio dos Trilhos tendo ao fundo a sede da Fundação  Cultural

Praça José Maria de Abreu

Praça José Maria de Abreu

Busto de José Maria de Abreu

Busto de José Maria de Abreu

2 comentários em O Nosso Maestro, José Maria de Abreu

  • Dinamara Osses  disse:

    Muito esclarecedora a matéria Fernando, parabéns! Ano passado busquei recursos junto à LIC de Jacareí para a produção da biogafia do José Maria de Abreu. Infelizmente não aconteceu, mas agora em Junho vou tentar apoio junto ao PROAC, outra fonte de recursos para produções literárias. Espero em breve compartilhar boas novas neste espaço e divulgar a biografia do Maestro ilustre da nossa cidade!

  • Fernando  disse:

    Transportei para este blog os comentários feitos no blog antigo de modo a preservar as mensagens e as novas informações a respeito do post.

    Ramon Abreu disse: 10/09/2013 às 18:35 – Meu tio, que honra.

    Carlos Braz Machado disse:11/04/2014 às 13:50 – Parabéns Fernando, esse breve relato trata-se de história fazendo história… o qual nos permite de forma muito suave e saborosa conhecer um pouco de uma pessoa extremamente ilustre, natural de Jacareí. Que você e que outras pessoas com esse mesmo espírito continuem repassando esse conhecimento ao povo, possibilitando assim a real valorização da nossa Jacareí pois, infelizmente, não será através dos nossos políticos atuais que teremos uma história a ser lembrada e ou principalmente contada para os nossos descendentes. Muito obrigado !!! (Bandana)

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